DAVID THORPE WORKSCVExhibitions
   
   
         
   
         
   
         
   
         
   
         
   
         
         

Lush Underground, Sep 22 – Nov 11, 2017



Press releaseEnglish


A Galeria Pedro Cera tem o prazer de apresentar a primeira exposição de David Thorpe na galeria. David Thorpe pertence a uma geração de artistas que começou a trabalhar depois da ascensão do movimento YBA (Young British Artists) em Londres, que contribuiu de forma significativa para a transformação da prática artística e do mercado da arte no final da década de 80 e início de 90. Olhar para a obra de David Thorpe à luz deste contexto histórico permite-nos compreender não apenas o ponto de partida conceptual da sua prática, mas também algumas das preocupações do artista por detrás das características formais do seu trabalho, que estão no centro da sua prática e que a definem tal como a conhecemos hoje.

Em vez de espectacular e ostensivo, o trabalho de Thorpe atribui uma grande relevância à complexidade do seu processo e à temporalidade da sua produção. A sua obra resulta de um caso amoroso entre trabalho e técnica, afastando-se, através de um acto de adoração, das características alienantes da modernidade e dos modos do homem moderno. Inspirado em parte pelo movimento inglês Arts and Crafts, por John Ruskin e pela obra tardia de carácter socialista de William Morris, Thorpe utiliza uma estética de ornamentos orgânicos e motivos botânicos que funcionam como um véu e película de protecção para delimitar e esconder uma filosofia marginalizada, mas cada vez mais vital. Com este gesto, Thorpe defende uma oposição a uma ordem económica e social estreitamente ligada ao mundo moderno em que actualmente vivemos. O papel da máquina torna-se secundário e a ênfase é colocada no rigoroso e demorado processo de mistura, sobreposição, corte, remoção, preenchimento, coloração (…), questionando assim o valor e a natureza do trabalho dentro do domínio imaterial cada vez mais presente nos dias de hoje.

O trabalho de David Thorpe pode ser facilmente “acusado” de ser belo. No entanto, a beleza não é senão uma de muitas camadas, e neste caso também um meio e poderoso instrumento para uma análise mais profunda. A complexidade dos ornamentos orgânicos, característica da obra do artista, é uma referência intelectual mas também um conceito utópico para uma nova construção de um objecto autónomo, cujo objectivo é o de dar voz ao sonho utópico. A superfície complexa e estratificada das esculturas de Thorpe, sejam esculturas que façam lembrar peças de mobiliário características de algumas das suas séries mais antigas ou um tubo infinito sem qualquer princípio ou fim evidente, é sugestiva da possibilidade de um novo sistema de fluxo e intercâmbio.

Utópica na sua natureza, Lush Underground mergulha-nos num não-lugar. Um espaço familiar, mas um lugar sem história, onde trabalho e beleza eclipsam a função. Apesar de mimética, a multiplicidade dos seus sentidos e funções formais continua deliberadamente indefinida, resultando numa recusa do fácil consumo e da circulação dos objectos.

David Thorpe (1972, Londres) vive e trabalha em Berlim. Os seus trabalhos foram exibidos no ICA (Londres), Museum of Modern Art (Nova Iorque), Van Abbe Museum (Eindhoven), Tate Britain (Londres), The Museum of Contemporary Art (Los Angeles), Saatchi Gallery (Londres), Santa Barbara Museum of Art (Santa Barbara), Camden Arts Centre (Londres), The Hepworth Wakefield (Reino Unido) e Kunstverein Hannover (Hannover), entre outros.